Portugueses toleram a corrupção
by admin on Dez.31, 2009, under Sociedade
Os portugueses toleram bem o tráfico de influências e vêem nele a única forma de ultrapassar um Estado lento e desatento aos seus direitos e necessidades. Um inquérito realizado à população portuguesa revela que as “cunhas” e os pedidos para “mexer cordelinhos” fazem parte do modo de vida dos portugueses, cuja maioria defende a criação de uma agência anti-corrupção, com altos poderes de investigação.
Segundo a análise feita pelos próprios autores do estudo – ambos sociólogos – os resultados revelam que “o problema da corrupção em Portugal não é apenas um problema legal, mas, também, de cultura cívica“, noticia o JN.
Os portugueses tendem a considerar “actos corruptos” aqueles que “mais se aproximam da definição penal“, deixando, assim, de fora uma série de outros comportamentos tipo “cunhas“, “favorecimentos“, ou “patrocinato político“.
Em relação a esses comportamentos revelam-se permissivos e até favoráveis, sempre que os mesmos tenham por objectivo uma causa justa ou o interesse colectivo (o “orçamento limiano”, por exemplo). É o que os autores chamam de “corrupção ao estilo Robin Hood“, própria de “uma cultura cívica ainda muito assente na satisfação das necessidades básicas“.
Os dois sociólogos constataram também que há uma “discrepância” entre “o mundo simbólico/ideal e o mundo estratégico/real” dos portugueses. Só assim explicam que a esmagadora maioria (88,4%) tenha dito que não votaria num autarca, mesmo que com “bom desempenho no cargo“, se soubesse que ele estaria envolvido num caso de corrupção, e o resultado das autárquicas de 2005 com a reeleição de vários candidatos a braços com a justiça.
Nas zonas onde existe um maior grau de iliteracia (interior ou grandes zonas suburbanas), a tolerância à corrupção é maior, mas de um modo geral, conforme constatam os autores, este trabalho confirma que Portugal é um País propenso a um tipo de corrupção que não assenta necessariamente no suborno e na troca directa dinheiro/decisões, mas que é construída socialmente ao longo do tempo, através da troca de favores, de simpatia, de prendas e hospitalidade“.
É o “País da cunha” e do “mexer de cordelinhos“, perante “um aparelho de Estado lento e insensível aos problemas dos cidadãos, de difícil acesso e inibidor da iniciativa privada“.
Portugueses não denunciam corrupção
Ao mesmo tempo que revelam tolerância em relação à cunha, ao favorecimento ou ao patrocinato político, os portugueses afirmam ter mão pesada na punição dos actos corruptos.
Porém, se a maioria garante que denunciaria crimes de corrupção de que tivesse conhecimento, “na realidade, os portugueses recolhem-se ao silêncio e à indiferença“. As queixas de cidadãos junto das autoridades são praticamente nulas.
Quando confrontados com a pergunta sobre que medidas adoptar para combater a corrupção, 11% dizem não saber e 42,3% defendem a criação de uma agência anti-corrupção, com amplos poderes de investigação. Um caminho que os autores do estudo também perfilham, desde que construído “com pés e cabeça“.
Os resultados deste estudo vão ser apresentados no próximo dia 16, altura em que será lançado o livro “A Corrupção e os Portugueses. Atitudes, práticas e valores”, de Luís de Sousa e João Triães. O trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito do projecto “Corrupção e Ética em Democracia: o caso de Portugal” e resulta de um inquérito à população portuguesa onde se procurou perceber o que pensam da corrupção e que comportamentos reputam de corruptos.
Fonte: http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/12269
Desemprego pode chegar aos 13% em 2010
by admin on Dez.31, 2009, under Desemprego
A «manterem-se as actuais politicas», o desemprego vai continuar a disparar e ultrapassar os 13% em 2010. Quem o diz é Arménio Santos, secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD).
Para a estrutura sindical do PSD, as actuais políticas estão «divorciadas da economia real», porque negligenciam o apoio às pequenas e médias empresas (PME). Neste sentido, os TSD reclamam por «políticas concretas» que ajudem o país a ultrapassar este problema.
«O maior número de desempregados resulta das micro e pequenas empresas, que encerram ou abrem falência às centenas todos os meses», disse Arménio Santos em conferência de imprensa, citado pela Lusa.
«O processo de destruição de postos de trabalho não pára» quer nas multinacionais, quer nas PME, sublinhou.
Para os TSD, «os números do desemprego real situam-se nos 627 mil desempregados», mais cem mil do que o oficial e, por isso, pedem o «envolvimento de todos os parceiros sociais» na retoma da economia, na criação de emprego e no combate à crise, algo que, de acordo com Arménio Santos, «não tem acontecido».
Fonte: http://diario.iol.pt/economia/portugal-emprego-crise-desemprego-recessao-psd/1113140-4058.html
Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social
by admin on Dez.30, 2009, under Fome
O grupo de trabalho que em Portugal vai monitorizar o Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social não pretende terminar 2010 sem pobreza no nosso país, mas quer chamar a atenção para esta realidade que a todos diz respeito.
Edmundo Martinho, responsável pelo grupo de trabalho português pretende em 2010 “impactos muito fortes e que todos nós compreendamos que não há ninguém dispensado deste esforço de combate à pobreza e à exclusão.
Os 700 mil euros afectos a este programa serão co-financiados pela União Europeia e por verbas nacionais com a maior parte das iniciativas a caber a entidades públicas e privadas o que faz com que “não haja propriamente um orçamento”, refere Edmundo Martinho que acredita que a “pujança do ano europeu vai ser a mobilização das entidades: desde empresas a grupos económicos, clubes desportivos e recreativos a organizações não-governamentais”.
A par das iniciativas programadas está ainda previsto que sejam realizados estudos sobre pobreza infantil e analisada a relação das baixas qualificações dos trabalhadores com os baixos salários e riscos acrescidos de exposição à pobreza.
Para Edmundo Martinho os indicadores relativos ao risco de pobreza em Portugal têm melhorado nos últimos anos, mas continuam a ser preocupantes e com destaque para a pobreza infantil.
“Temos números que não podem deixar de nos inquietar e mobilizar para fazer tudo o que está ao nosso alcance. E o que queremos com este ano é dar esse contributo e não podemos continuar a aceitar que o país permita que crianças cresçam e se desenvolvam sem acesso aos mais elementares bens relativos ao seu crescimento, desenvolvimento e qualificação – não apenas escolar mas enquanto cidadãos”.
População adulta consome mais drogas mas jovens experimentam menos
by admin on Dez.22, 2009, under Trafico
Cannabis, cocaína e ecstasy continuam a ser as substâncias ilícitas preferidas dos portugueses. O aumento moderado do consumo na população em geral é temperado com uma diminuição entre crianças e jovens, indica o relatório A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência 2008, ontem apresentado na Assembleia da República. Nunca o país teve tanta gente em tratamento, mas também não registava há muito tantos óbitos relacionados com drogas.
O estudo comparativo da população recua a 2001, ano em que Portugal descriminalizou o uso de psicoactivos. Entre 2001 e 2007, subiu a prevalência de consumo ao longo da vida de quem tem 15 e 64 anos: passou de oito para 12 a percentagem de quem já consumiu pelo menos uma vez. No mesmo período, porém, o país sofreu uma “descida generalizada das taxas de continuidade de consumos”: de 44 para 31 por cento (excepto no que concerne às anfetaminas e à heroína).
O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, associa o aumento a dois aspectos: “Os consumidores estão a envelhecer e ainda há alguma experimentação entre os mais velhos.” E enfatiza o facto de “a subida não ocorrer no grupo 15-19 anos”.
Sopram sinais de mudança entre adolescentes. No seu seio, “o consumo de drogas, que vinha aumentando desde os anos 90, diminuiu pela primeira vez em 2006″, atesta o relatório. Um estudo feito em 2007 revela que 13 por cento dos alunos de 16 anos usaram cannabis pelo menos uma vez na vida (um a dois por cento, outras substâncias ilícitas). Estabelecendo um paralelismo entre 2003 e 2007, nota-se uma descida em qualquer droga: 18 para 14.
Esta tendência de descida foi constatada em todas as idades. Assim o anuncia outro estudo feito entre alunos dos 13 aos 18 anos. Ao mesmo tempo, “aumentou a percepção do risco do consumo regular das várias drogas, o que indica uma maior informação dos estudantes”. Goulão encontra aqui “um sinal de que as estratégias de prevenção estão a dar os seus resultados”.
O relatório cita ainda uma investigação que aponta para uma redução das prevalências de consumo de qualquer droga dentro das cadeias: de 47 para 36 por cento, comparando 2001 com 2007. E, neste universo, destaca a redução das taxas de consumo pela vida endovenosa.
As más notícias surgem quando se analisa as mortes. Em 2008, registaram-se 16 mortes causadas por dependência de drogas, de acordo com o critério da Lista Europeia Suscita, (que contabiliza apenas as overdoses). O número ascende a 20 se usarmos o protocolo do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (o que inclui óbitos causados por “psicoses ligadas ao consumo de droga, toxicodependência, consumo de droga não dependente, intoxicação acidental, suicídio e intoxicação auto-infligida, intoxicação com intenção indeterminada).
O presidente do IDT admite que “é preciso estudar melhor este assunto”. Arrisca, ainda assim, algumas explicações. Por um lado, “uma população mais velha, mais vulnerável, com patologias associadas e, como tal, mais susceptível de ter acidentes com o uso de drogas”. Por outro, as práticas de policonsumo, quando “as drogas podem ter efeitos antagónicos, criar agressões no sistema cardiovascular”. Por fim, Goulão acha que é preciso ter em conta “as recaídas após tratamento ou após saída da prisão”.
O documento contrapõe estas mortes a outras: mantém-se a tendência decrescente de notificações de VIH/sida associadas à toxicodependência. Há, de resto, cada vez mais toxicodependentes em tratamento: no ano passado, havia 38.532 integrados em ambulatório na rede pública, 7010 dos quais novos utentes. E isto leva Goulão a acreditar que, através das equipas de rua, o país está a chegar a quem estava arredado dos serviços.
Desigualdades entre ricos e pobres injustas e imorais, alerta Lino Maia
by admin on Dez.22, 2009, under Desiguladades
Entre os 30 países da OCDE, Portugal é dos mais injustos no que respeita à distribuição dos rendimentos e está entre os primeiros quanto às diferenças entre ricos e pobres. O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social, Lino Maia, adianta que esta situação «não é justa nem moral».
O relatório sobre «Crescimento e Desigualdades», esta terça-feira divulgado pela OCDE, revela que em 23 dos 30 países membros desta organização, as desigualdades de rendimentos e o número de pobres aumentaram durante os últimos 20 anos.
Esta situação verifica-se sobretudo nos países mais ricos. É o caso do Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia
Entre os que os alcançaram alguns avanços estão o México, a Grécia, Austrália e Reino Unido, mas a Dinamarca e a Suécia são os mais justos de todos.
Portugal aparece quase no fundo da lista lado a lado com os Estados Unido.
Nos últimos lugares, onde é maior o fosso entre ricos e pobres estão o México e a Turquia, é também aqui que a mobilidade social é mais baixa e o risco de pobreza é maior.
O relatório demonstra, também, que é nos países com maiores diferenças sociais que os ricos ficaram ainda mais ricos.
A pobreza das crianças é um fenómeno que tem vindo também a aumentar, situando-se acima da média geral.
Alemanha e República checa são os dois países europeus onde esta tendência mais se acentuou.
Em contrapartida, os mais idosos viram os seus rendimentos a aumentar. Para inverter esta tendência, a OCDE apela aos países membros para que criem incentivos para as pessoas trabalharem mais, para que haja melhores salários, porque os números revelam que é nos países com maiores taxas de emprego que existem menos pobres.
O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social diz que não fica surpreendido com estas conclusões. Lino Maia defende medidas para atenuar o fosso entre ricos e pobres, sublinhando a necessidade de uma nova política salarial.
«É preciso que as actualizações não sejam uniformemente percentuais, mas que aumentam mais para aqueles que ganham pouco e não tanto aqueles que ganham muito. Já era previsível, nós temos em Portugal, poucos que ganham muito e muitos que ganham muito pouco ou nada. É importante corrigir isto, porque não é justo nem moral», defende.
Fonte: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1031976
Tráfico de humanos lucra US$ 30 mil por pessoa
by admin on Dez.20, 2009, under Trafico
As redes criminosas que traficam seres humanos lucram até US$ 30 mil por pessoa aliciada. No ano, o montante chega a US$ 9 bilhões.
As informações constam de um relatório divulgado nesta quarta-feira, em Brasília, pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC). O documento identificou as principais características das pessoas aliciadas, os países com maior número de vítimas e os destinos mais freqüentes.
Hoje, o tráfico de seres humanos só perde em rentabilidade para o comércio ilegal de drogas e armas, porém, o estudo afirma que a venda de seres humanos é geralmente administrada por criminosos associados aos entorpecentes, segundo o UNODC.
“A questão da exploração humana diz respeito tanto às nações mais pobres, quanto às mais ricas, que constituem o principal mercado consumidor”, afirma o relatório. O tráfico de seres humanos aumentou em todo o mundo nos últimos anos, principalmente nos países do antigo bloco socialista europeu.
Das dez nações com maior número de vítimas, seis são do leste da Europa (Rússia, Ucrânia, Moldávia, Romênia, Albânia e Bielorússia), três da Ásia (China, Mianmar e Tailândia) e uma da África (Nigéria).
Já os destinos mais freqüentes das pessoas aliciadas concentram-se nos países desenvolvidos. Segundo o UNODC, seis dos principais rumos das vítimas estão na Europa (Alemanha, Itália, Holanda, Grécia, Bélgica e Turquia), dois na Ásia (Japão e Índia) e um na América do Norte (Estados Unidos).
O documento afirma que 83% dos casos de tráfico de seres humanos envolvem mulheres, sendo que 48% são menores de 18 anos. Já os homens, representam apenas 4% do total, “e quando isso acontece ele costuma ser refugiado ou imigrante ilegal”, aponta o estudo.
Os números apresentados no relatório do UNODC apontam a principal finalidades do tráfico de seres humanos. Em 92% dos casos analisados, as vítimas foram “recrutadas” para servirem à exploração sexual.
Pobreza pode crescer quase 7% até ao final de 2010
by admin on Dez.12, 2009, under Fome
A crise financeira internacional está a ter um impacto social desastroso na América Latina. “
A pobreza continua a aumentar e pode crescer quase 7% até ao final de 2010” na região, anunciou em conferência de Imprensa, Angel Gurría, director do Centro de Desenvolvimento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e coordenador do relatório “Perspectivas económicas da América Latina 2010”, o terceiro apresentado numa Cimeira Ibero-Americana.
“Quase 40 mil pessoas que sairam da pobreza poderão cair nela de novo”, disse, deitando por terra a recuperação verificada nos indicadores sociais da região, entre 2003 e 2007. Na população activa, o efeito da crise foi igualmente nefasto, com o desemprego jovem a ser o triplo do registado nas camadas adultas, “tanto em Espanha como em muitos países latino-americanos”.
Sobre o arranque do crescimento previsto para os países da OCDE, de 2010 a 2012, Gurría disse que “não será uma recuperação espectacular nem muito rápida”, já que potências como o Japão e os EUA ou os países mais ricos da União Europeia (UE) só chegarão aos 2% de crescimento.
Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1435087
Metade da produção mundial de alimentos é jogada no lixo
by admin on Dez.06, 2009, under Fome
Dados da pesquisa realizada em parceria pela UN Food and Agriculture Organization (FAO), Stockholm International Water Institute e International Water Management Institute (IWMI) revelam que quase metade de todo o cultivo mundial de alimentos é desperdiçado após a sua produção. Esse gasto, gerado especialmente durante o processo de transporte dos produtos, é um dos principais causadores da crise dos alimentos que o mundo vive atualmente. Ou seja, o problema não está exclusivamente na falta de produção de comida, mas sim pelo seu enorme desperdício.
Porém esse não é o único dado alarmante apontado pela pesquisa. Segundo Charlotte de Fraiture, pesquisadora do IWMI, quase a metade da água usada anualmente para o cultivo dos alimentos também é perdida ou desperdiçada ao longo do processo. Somente nos Estados Unidos, quase 40 trilhões de litros de água (aproximadamente a quantidade necessária para produzir 30% dos alimentos de todo o país e suficiente para suprir as necessidades de 500 milhões de família) são perdidos todos os anos.
E tanto desperdício não é novidade para ninguém. Qualquer um que já comeu em um buffet ou foi a um supermercado sabe quantos alimentos em perfeitas condições de consumo são jogados fora diariamente. Para acabar com essa prática, os autores da pesquisa convocaram toda a comunidade mundial para reduzir a quantidade de desperdício de alimentos e água pela metade até 2025 – uma meta facilmente alcançável, de acordo com eles.
Outras recomendações do relatório beiram o óbvio: além de controlar o desperdício, sugerem melhorar a produtividade da água e aperfeiçoar a produção de alimento. Outra idéia incentiva usar um selo nos produtos informando sobre a quantidade de água que foi utilizada para gerá-lo. Assim as pessoas saberiam que para produzir um bife, por exemplo, são necessários 20.877 litros por cada 1 kg e assim ter consciência do que está comprando. Para os pesquisadores, existe água suficiente para todos e ela estará disponível para todos desde que seja bem gerida.
Fonte: http://livrepensar.wordpress.com/2009/08/14/algumas-verdades-sobre-a-fome-no-mundo/
Biocombustíveis – Uso de cereais para combustível agravou fome a nível mundial
by admin on Dez.06, 2009, under Fome
Nem tudo o que parece verde é. Esta a lição que a nível global está a ser aprendida.
A procura de alternativas ao petróleo teve já alguns efeitos desastrosos nas reservas alimentares do planeta, disseram-no já diversas entidades das Nações Unidas, cujos alertas previam mais fome, revoltas
dos pobres em muitas regiões e também um desgaste ecológico.
A crise do pão já está a ser sentida por milhões, na quantidade e no preço.
Já há tumultos em alguns pontos do globo, como os Camarões, Indonésia, Haiti e o Níger.
E a directora do Programa Mundial de Alimentos, da ONU, avisou que terá de ser retirada a ajuda a 100 mil crianças, se os doadores não acrescentarem os seus subsídios para compensar a subida do preço dos cereais.
Os Objectivos do Milénio para retirar da fome alguns milhões de pessoas dificilmente serão cumpridos nestas circunstâncias.
Esta é só uma faceta da realidade, que também inclui os muitos milhões de África, Ásia e América Latina já antes a braços com a carência alimentar.
Havia 800 milhões de famintos no mundo. Tudo corre agora de mal a pior.
Efeitos perversos Segundo a ONU, desde há 40 anos que as reservas
alimentares do planeta não estavam tão desprovidas.
No “banco dos réus” estão as mudanças climáticas, causando perda de colheitas.
Mas não só a tentativa de se substituir o uso exclusivo do petróleo por biocombustíveis , com o intuito de diminuir as emissões de gases com efeito de estufa, teve efeitos perversos.
Desflorestou-se mais para fazer cultivo de cereais e oleaginosas.
O impacto ambiental não se ficou pela perda de largas zonas de floresta cheia de biodiversidade, como vem acontecendo no sudeste asiático; a factura para o planeta foi paga em mais emissões de CO2 devido às queimadas
e ainda pelo uso de fertilizantes que também no seu fabrico contribuem para tais emissões.
Países como a Holanda, que proclamavam uma filosofia verde, e por isso investiam em palmares para produção de biodiesel no sudeste asiático, manifestaram-se perplexos com a reversão dos efeitos.
Solos tradicionalmente afectos aos cereais e a oleaginosas como o milho e girassol tiveram a sua produção desviada para o fabrico de biocombustíveis.
Não é de estranhar que, ontem, em Roma, no Fórum Internacional de Energia, tanto um membro da
OPEP, ministro do Qatar, como o alto responsável por uma das gigantes petrolíferas tenham dito que os biocombustíveis não são a solução energética e que a crise do pão não cabe ao ouro negro saído
dos seus poços.
Na verdade, para a alta do preço dos cereais há outros contributos está em acção também “um bando de especuladores e bandidos financeiros”, acusou ontem Jean Ziegler, relator especial da ONU para o direito à alimentação. No coro dos protestos entra também o ministro alemão da Agricultura, Horst Seehofer, que numa
entrevista ao “Bild am Sonntag” fustigou os grandes grupos agro-alimentares pela forma como dominam o comércio de sementes e as impõem, nomeadamente as geneticamente modificadas, aos agricultores.
Tais práticas nos EUA, segundo disse, vão determinar o aumento do preço das
forragens para animais na ordem dos 600%. Eis aí outro problema para o abastecimento alimentar, que teria de conseguir a inclusão de faixas das populações de economias emergentes, como a China e a Índia, ascendendo na última meia-dúzia de anos a uma classe média e a um prato mais cheio.
Afegãos consideram que a pobreza é a principal causa da guerra
by admin on Nov.18, 2009, under Fome
A maioria dos afegãos acredita que a pobreza, o desemprego e a corrupção do Governo – e não os taliban – são as principais causas para a guerra contínua no seu país.
Segundo um relatório divulgado hoje pela organização não governamental britânica Oxfam, realizado com vários grupos locais, o desemprego está nos 40 por cento no Afeganistão e mais de metade do país vive abaixo do limiar da pobreza.
A Oxfam baseou este relatório num inquérito a 700 afegãos: para 70 por cento dos inquiridos, a pobreza e o desemprego são os principais motivadores do conflito. Quase metade apontou a corrupção e a falta e eficácia do seu governo.
Só 36 por cento considerou que são os taliban os maiores responsáveis pela continuação da violência.
“As pessoas do Afeganistão sofreram 30 anos de terror implacável. A sociedade afegã foi devastada”, disse Grace Ommer, directora do programa da Oxfam para o Afeganistão.
“Reparar estes estragos não pode ser feito da noite para o dia. Vai levar muito tempo para sarar as feridas económicas, sociais e psicológicas… O Afeganistão precisa de mais do que soluções militares”, afirmou Ommer num comunicado.
Há 110 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, mas a violência não tem parado de aumentar. Nas razões apontadas para o conflito, a seguir aos taliban, aparece a interferência estrangeira no país, com 25 por cento das respostas.
A maioria dos afegãos acredita que a pobreza, o desemprego e a corrupção do Governo – e não os taliban – são as principais causas para a guerra contínua no seu país.