Sociedade
“Bullying”
by admin on Mar.08, 2010, under Sociedade
“Bullying”, ou mais conhecido como violência verbal e/ou física gerada na comunidade escolar, tem vindo a aumentar de ano para ano, cada vez mais intensificada e sem fim à vista.
O nome “bullying”, que provem do Inglês, foi inserido na nossa lingua há relativamente pouco tempo, tão recente até que muitos ainda desconhecem tal palavra.
Cerca de 300 casos de “bullying” tiveram lugar nas escolas portuguesas, no passado ano lectivo, tendo sido apreendidas cerca de 84 armas de fogo.
A principal causa deste grave problema prende-se à divisão dos jovens em grupos que, por vezes, ridicularizam alunos que, segundo os seus padrões, são considerados inferior aos outros e por isso são sujeitos às piadas, às reduções ao ridículo e até à violência física. Além destes casos, também se verificam situações de violência sexual.
Como qualquer problema, também este tem as suas consequências. Desde provocar estados de angústia e raiva até ao caso extremo da depressão. A depressão, por sua vez, pode levar ao suicídio, sendo capaz de passar por uma fase de automutilação .
O suicídio, embora pareça impensável, é ao que muitos jovens recorrem e, sem motivação e capacidade para levantar a moral de novo, é quase impossível de ser evitado.
O “bullying” não escolhe idades, nem sexos, nem países…
Um exemplo disso passou-se nos EUA, quando um rapazinho de seis anos cuspiu na mesa de uma sua colega e rapidamente retirou da sua mochila uma arma, a qual foi carregada no momento, e disparou contra ela, dizendo “não gosto de ti”! A menina acabou por não resistir aos ferimentos e morreu.
Temos outros exemplo, Bernardo, um rapaz que fora apelidado de “monte de banhas” acabara a sua aula de E.F. e fora tomar banho; após sair do duche não tinha a roupa pois alguem a tinha escondido e teve que telefonar para a mãe. A mãe fez queixa do sucedido mas o rapaz sofreu as consequências da denúncia, fora mais uma vez agredido, desta vez violentamente.
Se sofreres de “bullying”, não dês importância e tenta mostrar indiferença às críticas, contudo, se as coisas se tornarem piores, procura a ajuda dos teus amigos e profissionais a quem possas contar os problemas. Em casos mais extremos, denuncia os agressores à PSP.
Nunca, mas nunca, te isoles do mundo e te tentes conformar com a situação nem nunca caias na tentação da automutilação, pois além de ser um processo de libertares toda a tua raiva de forma dolorosa, irás ficar marcado psicologicamente e fisicamente para sempre.
Para ultrapassar este sério problema, nada como ter força de vontade e tentar encarar de frente a situação. Já se fez algum para tentar controlar este problema mas ainda muito há por fazer. A violência é um facto comum na nossa sociedade, regida por leis humanas, na teoria, e da selva, na prática!
Consumismo Exagerado
by admin on Jan.30, 2010, under Sociedade
A sociedade moderna desenvolveu uma capacidade de consumir em proporções alarmantes. Em alguns países, como nos Estados Unidos, se consome de tudo e de forma desproporcional às necessidades. Os americanos são induzidos a gastar em ritmo frenético, pois o consumismo é o motor da sua economia. Pode ser que esse modelo econômico tenha ajudado o país a se transformar em uma potência mundial, porém, o custo para o planeta tem sido descomunal.
Se a população dos outros países tivesse os mesmos hábitos dos americanos o nosso planeta não teria capacidade para suprir as necessidades de insumos e energias que seriam demandadas. A situação é tão absurda que para os americanos viverem essa farra só é possível porque a maior parte do resto do mundo vive na miséria ou muito próximo dela.
Esse estilo americano de ser, tão decantado em filmes e músicas, começa a cobrar um preço muito alto de todos nós. O que parecia ser bom, com o comércio mundial gerando troca de riqueza para os países produtores, transformou-se em uma camisa de força para os governos, impedindo-os de tomar providências para minimizar as conseqüências negativas para o meio ambiente.
Mas esse problema de consumir além do necessário não é uma questão exclusiva dos norte-americanos.
Sociedades de outros países incentivaram seus integrantes a buscar o status social através da sua capacidade de compra, levando as suas populações a um “stress consumista” sem precedente na história da humanidade.
O excesso de consumismo explorou os recursos naturais em proporções maiores que a sua capacidade de regeneração levando o meio ambiente a um esgotamento muito perigoso e de difícil reversão.
Para o nosso planeta isso foi trágico, e disparou uma onda de catástrofes em vários lugares, impactando a vida das pessoas, flora e fauna.
Florestas cederam espaço para a agricultura e a criação de rebanhos, a exploração e o transporte de petróleo contaminaram terras, rios e mares, e a extração de minérios afetou de forma irreversível a vida no entorno desses lugares. Esses são só alguns exemplos do descaso do homem com o seu habitat.
Tudo que é produzido em algum momento terá de ser descartado, e aí começa a segunda grande agressão ao meio ambiente. O volume de lixo e entulho produzido pela sociedade moderna vem crescendo de forma vertiginosa. Não há mais espaço para depositá-lo e o seu acúmulo contamina os solos, rios, mares e lençóis freáticos.
Essa situação tem levado as outras espécies à extinção e ao colapso. Mais de cem espécies de animais ou plantas desaparecem, em definitivo, por dia.
A devastação é impressionante. Não há paralelo em qualquer época da história. Estamos eliminando a vida na Terra, até não sobrar nada nem ninguém.
Estamos chegando ao nosso limite. O clima nos dá sinais, diariamente, de que fomos longe demais. Haverá tempo para recuarmos? Estamos dispostos a fazê-lo? São perguntas que governos e sociedades terão de responder agora.
Cabe a nós tomar uma atitude para sairmos da inércia e do comodismo e, assim, deixarmos de pensar que o problema não é conosco e começarmos a agir. Os líderes primeiro, incentivando os outros a segui-los e mostrando o novo caminho que terá de ser trilhado para que haja vida para nossos filhos, netos e para que as gerações futuras tenham um lugar digno para viver.
Escravidão infantil envolve 400 milhões de crianças no mundo
by admin on Jan.27, 2010, under Sociedade
Esta realidade envolve atualmente 400 milhões de crianças. Os dados são de organizações humanitárias, que indicam também que os menores representam mais de 10% do potencial de mão-de-obra no mundo.
Essas crianças geram cerca de 13 milhões de euros anuais ao Produto Interno Bruto mundial. As organizações denunciam, em particular, que poderosas empresas multinacionais famosas em todo o mundo, com produções que vão desde automóveis e roupas até bebidas e tênis, são consideradas culpadas. Elas “exploram meninos e meninas nos países pobres com subcontratos para diminuir o preço da mercadoria que é vendida em outros lugares e da qual aquelas crianças nunca poderão usufruir”.
O Movimento Cultural Cristão Espanhol diz que é vergonhoso, em pleno século XXI, presenciar a escravidão infantil, guerras, prostituições, exploração de trabalho, fome e maus-tratos. Na Espanha, dois milhões de crianças vivem abaixo da linha de pobreza. Dessas, entre 500 mil e um milhão são obrigadas a trabalhar, abandonando o lazer e a escola”.
Ainda para o Movimento Cristão, “a escravidão infantil é o maior problema trabalhista e, portanto, sindical do mundo. Apesar disso, o sindicalismo internacional e os partidos políticos, inclusive aqueles espanhóis, não se preocupam com tais questões. Para eles, a escravidão infantil não existe”. Ao contrário, acrescenta, “a escravidão infantil é um holocausto planetário em crescimento”.
O documento do Movimento Cristão ressalta que a escravidão infantil se transformou em um instrumento de guerra comercial internacional. As crianças e os adolescentes formam o grupo de trabalhadores mais vulnerável e menos protegido. O problema é considerado moral e político e pode encontrar soluções graças a “uma política de solidariedade”.
No dia de hoje, a proposta é lutar pela abolição total da escravidão infantil e contra o desemprego e a precariedade do trabalho imposta aos adultos.
A escolha do 16 de abril como Dia Mundial contra a Escravidão Infantil não é casual. Nesta data, no ano de 1995, morreu Iqbal Masih, um menino de 12 anos assassinado pela máfia têxtil do Paquistão porque tinha denunciado explorações. Ele foi vendido como escravo pelo próprio pai, aos quatro anos de idade, em troca de US$ 12. Ao fugir da fábrica de tapetes onde trabalhava, tornou-se porta-voz do drama das crianças trabalhadoras de todo o mundo.
Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=257371
Portugueses toleram a corrupção
by admin on Dez.31, 2009, under Sociedade
Os portugueses toleram bem o tráfico de influências e vêem nele a única forma de ultrapassar um Estado lento e desatento aos seus direitos e necessidades. Um inquérito realizado à população portuguesa revela que as “cunhas” e os pedidos para “mexer cordelinhos” fazem parte do modo de vida dos portugueses, cuja maioria defende a criação de uma agência anti-corrupção, com altos poderes de investigação.
Segundo a análise feita pelos próprios autores do estudo – ambos sociólogos – os resultados revelam que “o problema da corrupção em Portugal não é apenas um problema legal, mas, também, de cultura cívica“, noticia o JN.
Os portugueses tendem a considerar “actos corruptos” aqueles que “mais se aproximam da definição penal“, deixando, assim, de fora uma série de outros comportamentos tipo “cunhas“, “favorecimentos“, ou “patrocinato político“.
Em relação a esses comportamentos revelam-se permissivos e até favoráveis, sempre que os mesmos tenham por objectivo uma causa justa ou o interesse colectivo (o “orçamento limiano”, por exemplo). É o que os autores chamam de “corrupção ao estilo Robin Hood“, própria de “uma cultura cívica ainda muito assente na satisfação das necessidades básicas“.
Os dois sociólogos constataram também que há uma “discrepância” entre “o mundo simbólico/ideal e o mundo estratégico/real” dos portugueses. Só assim explicam que a esmagadora maioria (88,4%) tenha dito que não votaria num autarca, mesmo que com “bom desempenho no cargo“, se soubesse que ele estaria envolvido num caso de corrupção, e o resultado das autárquicas de 2005 com a reeleição de vários candidatos a braços com a justiça.
Nas zonas onde existe um maior grau de iliteracia (interior ou grandes zonas suburbanas), a tolerância à corrupção é maior, mas de um modo geral, conforme constatam os autores, este trabalho confirma que Portugal é um País propenso a um tipo de corrupção que não assenta necessariamente no suborno e na troca directa dinheiro/decisões, mas que é construída socialmente ao longo do tempo, através da troca de favores, de simpatia, de prendas e hospitalidade“.
É o “País da cunha” e do “mexer de cordelinhos“, perante “um aparelho de Estado lento e insensível aos problemas dos cidadãos, de difícil acesso e inibidor da iniciativa privada“.
Portugueses não denunciam corrupção
Ao mesmo tempo que revelam tolerância em relação à cunha, ao favorecimento ou ao patrocinato político, os portugueses afirmam ter mão pesada na punição dos actos corruptos.
Porém, se a maioria garante que denunciaria crimes de corrupção de que tivesse conhecimento, “na realidade, os portugueses recolhem-se ao silêncio e à indiferença“. As queixas de cidadãos junto das autoridades são praticamente nulas.
Quando confrontados com a pergunta sobre que medidas adoptar para combater a corrupção, 11% dizem não saber e 42,3% defendem a criação de uma agência anti-corrupção, com amplos poderes de investigação. Um caminho que os autores do estudo também perfilham, desde que construído “com pés e cabeça“.
Os resultados deste estudo vão ser apresentados no próximo dia 16, altura em que será lançado o livro “A Corrupção e os Portugueses. Atitudes, práticas e valores”, de Luís de Sousa e João Triães. O trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, no âmbito do projecto “Corrupção e Ética em Democracia: o caso de Portugal” e resulta de um inquérito à população portuguesa onde se procurou perceber o que pensam da corrupção e que comportamentos reputam de corruptos.
Fonte: http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/12269
Desigualdades entre ricos e pobres injustas e imorais, alerta Lino Maia
by admin on Set.11, 2009, under Sociedade
Entre os 30 países da OCDE, Portugal é dos mais injustos no que respeita à distribuição dos rendimentos e está entre os primeiros quanto às diferenças entre ricos e pobres. O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social, Lino Maia, adianta que esta situação «não é justa nem moral».
O relatório sobre «Crescimento e Desigualdades», esta terça-feira divulgado pela OCDE, revela que em 23 dos 30 países membros desta organização, as desigualdades de rendimentos e o número de pobres aumentaram durante os últimos 20 anos.
Esta situação verifica-se sobretudo nos países mais ricos. É o caso do Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia
Entre os que os alcançaram alguns avanços estão o México, a Grécia, Austrália e Reino Unido, mas a Dinamarca e a Suécia são os mais justos de todos.
Portugal aparece quase no fundo da lista lado a lado com os Estados Unido.
Nos últimos lugares, onde é maior o fosso entre ricos e pobres estão o México e a Turquia, é também aqui que a mobilidade social é mais baixa e o risco de pobreza é maior.
O relatório demonstra, também, que é nos países com maiores diferenças sociais que os ricos ficaram ainda mais ricos.
A pobreza das crianças é um fenómeno que tem vindo também a aumentar, situando-se acima da média geral.
Alemanha e República checa são os dois países europeus onde esta tendência mais se acentuou.
Em contrapartida, os mais idosos viram os seus rendimentos a aumentar. Para inverter esta tendência, a OCDE apela aos países membros para que criem incentivos para as pessoas trabalharem mais, para que haja melhores salários, porque os números revelam que é nos países com maiores taxas de emprego que existem menos pobres.
O presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social diz que não fica surpreendido com estas conclusões. Lino Maia defende medidas para atenuar o fosso entre ricos e pobres, sublinhando a necessidade de uma nova política salarial.
«É preciso que as actualizações não sejam uniformemente percentuais, mas que aumentam mais para aqueles que ganham pouco e não tanto aqueles que ganham muito. Já era previsível, nós temos em Portugal, poucos que ganham muito e muitos que ganham muito pouco ou nada. É importante corrigir isto, porque não é justo nem moral», defende.
Fonte: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1031976
O aquecimento global
by admin on Ago.30, 2009, under Sociedade
O aquecimento global vai provocar um aumento do número de mortes devido ao calor. O nível da água do mar vai subir, haverá mais malária, fome e pobreza. A preocupação tem sido grande mas a humanidade tem feito muito pouco para prevenir estas situações. Apesar das promessas de redução das emissões de dióxido de carbono, estas continuam a aumentar.Todos temos interesse em parar as alterações climáticas. Apelámos aos cientistas que nos informassem sobre os problemas do aquecimento global. Agora precisamos de pedir aos economistas do ambiente que nos esclareçam sobre os benefícios, custos e possíveis resultados das diferentes respostas a este desafio.
Os líderes mundiais vão reunir-se em Copenhaga no próximo mês de Dezembro para formularem um novo pacto de combate ao aquecimento global. Devem continuar com planos de redução de emissões que dificilmente serão cumpridos? Devem, em vez disso, adiar as reduções em 20 anos? Que resultados podem ser obtidos por plantar mais árvores, reduzir o metano ou as emissões de fuligem negra? É razoável focarem-se numa solução tecnológica para o aquecimento? Ou devemos apenas adaptarmo-nos a um mundo mais quente?
O actual debate político centra-se, essencialmente, na redução de emissões, mas há muitas formas de melhorar o clima global. As nossas escolhas terão resultados e custos diferentes.
A combinação óptima de soluções vai criar o maior impacto ao menor custo. Um artigo inovador dos economistas Eric Bickel e Lee Lane é um dos primeiros – e certamente o mais completo – estudos dos custos e benefícios da engenharia climática. Manipular deliberadamente o clima da Terra parece ficção científica. Mas tal como tem dito o conselheiro científico de Barack Obama, John Holdren, é “algo que deve ser pensado” e muitos cientistas destacados concordam.
Bickel e Lane apresentam provas convincentes de que um pequeno investimento na engenharia climática pode reduzir muitos dos efeitos do aquecimento global tal como biliões de dólares gastos na redução de emissões de dióxido de carbono.
A engenharia climática tem a vantagem da rapidez. Existe um atraso significativo entre a redução das emissões e qualquer diminuição da temperatura – mesmo reduzindo metade das emissões até meados deste século, isso só seria mensurável no final do século. Vai também demorar muito tempo até que as energias verdes se tornem baratas e dominantes. A electrificação da economia global continua incompleta após mais de um século de esforços.
Já foram propostos muitos métodos de engenharia atmosférica. Um dos mais promissores parece ser a gestão da radiação solar. Os gases com efeito de estufa permitem a passagem dos raios solares mas absorvem calor e irradiam-no para a superfície da Terra. Se nada mudar, o aumento das concentrações vai prejudicar o planeta. A gestão da radiação solar permitiria reenviar parte da luz solar para o espaço. Reflectir apenas 1 a 2% de toda a luz solar que atinge a terra poderia anular tanto aquecimento como o causado por duplicar os níveis de efeito de estufa da era pré-industrial.
Quando o Monte Pinatubo entrou em erupção em 1991, cerca de um milhão de toneladas de dióxido de enxofre foram lançados para a estratosfera, que em contacto com a água formaram uma camada nebulosa que se espalhou por todo o globo, e – pela dispersão e absorção da luz solar – arrefeceram a superfície da terra durante quase dois anos. Poderíamos imitar este efeito através da introdução de aerossóis na estratosfera – lançando matéria como dióxido de enxofre ou ferrugem na estratosfera.
Outro método promissor é o branqueamento de nuvens marinhas, que consiste em borrifar gotas de água do mar em nuvens marinhas para que estas reflictam mais luz solar. Isto aumenta o processo natural, onde o sal marinho dos oceanos fornece vapor de água com núcleos de condensação de nuvens.
É notável considerar que podemos anular o aquecimento global deste século com 1.900 navios não tripulados que vaporizem vapor de água do mar no ar para engrossar as nuvens. O custo total poderá ser de 9 mil milhões de euros e os benefícios de prevenir o aumento da temperatura podem chegar aos 20 biliões de dólares. É o equivalente a obter 2.000 dólares por cada dólar gasto.
Muitos dos riscos da engenharia climática têm sido exagerados. O branqueamento de nuvens marinhas não provoca alterações atmosféricas permanentes e pode ser usado apenas quando for necessário. Transformar a água do mar em nuvens é um processo natural. O maior desafio é a percepção pública. Muitos ‘lobbies’ ambientais opõem-se até à investigação da engenharia ambiental, o que é surpreendente dado os inúmeros benefícios. Se nos preocupamos tanto em evitar que as temperaturas aumentem, deveríamos ficar contentes com o facto de esta estratégia simples e eficaz ser tão promissora.
A engenharia climática pode continuar a ser uma opção de último recurso para usar apenas em caso de necessidade. Ou podemos colocá-la no topo da agenda. Em qualquer dos casos, existe uma razão imperiosa para que seja seriamente considerada. Estamos a caminho de ser a geração que desperdiçou décadas a discutir as reduções das emissões de dióxido de carbono e não conseguiu parar os efeitos nocivos do aquecimento. Seria um legado vergonhoso – um legado que pode ser evitado repensando a política climática.
Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=383864
A realidade por trás da “recuperação” económica
by admin on Ago.30, 2009, under Sociedade
Os meados de Agosto de 2009 foram um momento peculiar na economia dos EUA. A Wall Street, os grandes bancos e os media estiveram sobretudo a celebrar a “recuperação económica”. Enquanto isso, os americanos médios estiveram a sofrer níveis recorde de desemprego, insegurança de emprego, arrestos de lares, ansiedades quanto à dívida pessoal e as preocupantes tensões e cóleras que inevitavelmente resultam daí. Um economista referiu-se aos EUA como “uma nação, duas economias nacionais” . Dois conjuntos particulares de dados económicos de Agosto revelam o aprofundamento do divisor económico por trás da conversa da “recuperação”.
O primeiro conjunto de números vem do Bureau of Labor Statistcs do Departamento do Trabalho dos EUA. Eles mostram alguns factos notáveis acerca (1) da produtividade dos trabalhadores estado-unidenses – a quantidade de bens e serviços produzidos por trabalhador empregado; (2) a compensação paga aos trabalhadores estado-unidenses; e (3) as horas que eles realmente trabalharam. Estes números mostraram como a economia foi alterada entre o primeiro trimestre (Janeiro-Março) e o segundo (Abril-Junho) de 2009. O número médio de horas trabalhadas pagas por empregado caiu em 7,6 por cento, mas o produto total caiu apenas 1,7 por cento. Isso foi porque os trabalhadores que não haviam (ainda) perdido os seus empregos estavam temerosos, de modo que trabalharam mais arduamente e mais depressa efectuando alguns das tarefas feitas pelos trabalhadores despedidos. Com menos trabalhadores empregados a fazerem mais, o BLS relatou um ganho de 6,4 por cento na produtividade do trabalho estado-unidense.
Pelo seu trabalho mais árduo, mais rápido e portanto 6,4 por cento mais produtivo, aqueles ainda empregados viram os seus salários monetários subirem em somente 0,2 por cento entre o primeiro e o segundo trimestre de 2009. Quando o BLS levou em conta a ascensão dos preços que os trabalhadores têm de pagar, os seus salários reais (os bens e serviços que eles realmente poderiam comprar) caíram em 1,1 por cento. Tomado tudo em conjunto, estes números mostram que o patronato obteve um enorme aumento na produção por cada empregado, enquanto o que eles pagaram aos seus empregados impõs-lhes uma redução nos bens e serviços que podem comprar.
Não é de admirar que o segundo trimestre de 2009 fosse celebrado como uma “recuperação” pelos negócios e portanto pelos políticos e os media; os trabalhadores apenas assistem e preocupam-se.
Mas os números da produtividade contam-nos ainda mais. Eles mostram um aprofundamento da desigualdade entre empregadores e empregados nos EUA. O patronato ao obter 6,4 por cento mais de produto para venda por hora de trabalho pago ao trabalhador desfrutou cerca de 6,4 por cento mais receitas de vendas. Contudo, os seus empregados remanescentes, a trabalharem mais arduamente e mais rapidamente, obtém como pagamento salários horários que lhes permitem comprar menos bens e serviços do que antes.
As respostas do patronato à actual crise económica (despedimentos colectivos e aceleração do ritmo de trabalho) portanto pioram o fosso nos rendimentos e padrões de vida entre empregadores e empregados. Deve-se ter isto em mente da próxima vez que se ouvir líderes de negócios ou políticos a falarem acerca de como “todos nós precisamos apertar os cintos” ou “fazer iguais sacrifícios”.
O aumento da desigualdade na distribuição do rendimento entre empregadores e empregados habitualmente, também, aprofunda as desigualdades políticas e culturais. O patronato agora terá relativamente mais recursos para moldar políticas do que os trabalhadores. O patronato terá mais para utilizar a fim promover suas amenidades culturais (suas famílias desfrutarão maior acesso a actividades educacionais, artísticas, recreativas, ao passo que os trabalhadores descobrirão que o acesso a tais coisas é cada vez mais difícil). A crescente desigualdade económica, política e cultural a partir da década de 1970 ajudou a provocar a crise actual. Agora a crise está a piorar aquela desigualdade. Recuperação?
O aumento da desigualdade também ameaça qualquer “recuperação económica” que possa realmente começar. A razão para isto é que os empregadores geralmente poupam mais e gastam menos dos seus rendimentos do que os seus empregados. A economia estado-unidense assolada pela crise obtém um “estímulo” benéfico com trabalhadores a gastarem quase todos os seus rendimentos. Aquele estímulo é reduzido quando o rendimento flui mais para empregadores e menos para trabalhadores. Numa absurda deformação do nosso contraditório sistema económico, assim como o governo gasta mais para “estimular” a nossa economia deprimida, a prática dos negócios deixa aos trabalhadores menos para gastar. Isto é uma combinação auto-derrotante que mina a recuperação real que toda a gente necessita.
O segundo conjunto de número foi coligido e publicado pelo US Federal Reserve; tal conjunto refere-se à “capacidade de utilização” . Grosso modo, estes números medem a proporção da capacidade de país para produzir que está realmente a ser utilizada para a produção. Em Julho de 2009, a proporção da capacidade de utilização em toda a indústria manufactureira era de 65,4, ou aproximadamente dois terços. Mais de um terço das ferramentas, máquinas, equipamento, fábricas e espaço de escritórios, etc estava ocioso na indústria manufactureira. Para comparação, a taxa média da capacidade de utilização da indústria manufactureira de 1972 a 2009 foi de 79,6. A crise portanto está a aumentar o enorme desperdício do nosso sistema económico – fracasso em fazer uso dele – numa porção muito significativa dos recursos produtivos do nosso país. Capacidade ociosa geralmente significa capacidade em deterioração. E isto depois de um ano de “pacotes de estímulo económico” de Bush e Obama.
Considere o significado deste desperdício. Lado a lado aos 15 milhões de pessoas desempregadas de hoje (sem falar nos subempregados), temos um terço da nossa capacidade industrial também desempregada. Enquanto necessidades sociais maciças permanecem por cumprir (reconstrução de centros de cidades, proporcionar a milhões cuidados de dia, cuidados de saúde e cuidados de idosos, reparação de décadas de danos ao ambiente e assim por diante). Do modo como este sistema económico funciona, supõe-se que tenhamos de esperar até que empresas privadas vejam lucros na recontratação de desempregados e utilização da capacidade disponível. Até então, supõe-se que assistamos e observemos e aceitemos a incapacidade deste sistema para combinar pessoas desempregadas com recursos desempregados para atender necessidades sociais óbvias.
Os dois conjuntos de números divulgados neste mês de Agosto revelam a realidade por trás de toda a conversa da “recuperação”. A vasta maioria do povo vive e trabalha (ou não) naquela “outra” economia nacional que não está a experimentar a “recuperação” que somos supostos aplaudir. [*] Professor de Economia na Universidade de Massachusetts – Amherst. Autor de muitos livros e artigos , incluíndo (c/ Stephen Resnick) Class Theory and History: Capitalism and Communism in the USSR (Routledge, 2002) e (c/ Stephen Resnick) New Departures in Marxian Theory (Routledge, 2006). O seu novo livro acerca da crise actual é Capitalism Hits the Fan .
O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/wolff270809.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Trás-os-Montes é a sub-região mais pobre da UE
by admin on Ago.08, 2009, under Sociedade
Por Redacção
Um estudo elaborado pelo Centro de Estatística da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas concluiu que Trás-os-Montes é a sub-região mais pobre de toda a União Europeia e que em toda a região Norte há cerca de um milhão de pobres.
O documento, intitulado ‘Estudo sobre a pobreza na região Norte de Portugal’, revela que «são visíveis situações de pobreza extrema, privação e precariedade» na região. Um cenário que se tem vindo a agravar, em «resultado do encerramento de muitas unidades fabris e falência de outras empresas que levaram ao despedimento de milhares de trabalhadores com a consequente redução dos seus rendimentos».
Fernando Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das PME, já comentou as conclusões do estudo e em declarações ao ‘Jornal de Notícias’, lembrou que «no ano 200, as duas sub-regiões do Minho e Alto Douro e Trás-os-Montes foram identificadas como as mais pobres da UE-15. Por isso, a União Europeia injectou na região Norte cerca de sete mil milhões de euros entre 2000 e 2006 para que houvesse um crescimento de 4,5 por cento neste período, mas não só a região não cresceu como ainda por cima contém a sub-região mais pobre da UE-27».
11:26 – 23-07-2009
Um quarto dos desempregados nacionais vive no distrito do Porto
by admin on Ago.08, 2009, under Sociedade
Um quarto dos desempregados nacionais vive no distrito do Porto
06.08.2009 – 14h47 Lusa
A CDU alertou hoje para a situação de “emergência social” que se vive no distrito do Porto, onde está um quarto dos desempregados portugueses e a taxa média de desemprego é de 13 por cento, três pontos percentuais acima da média nacional.
“O desemprego no distrito do Porto representa 25 por cento do desemprego nacional, quando a sua população é apenas de 17 por cento”, sublinhou Jaime Toga, candidato da CDU pelo círculo do Porto à Assembleia da República. Segundo o candidato comunista, “estima-se que existam cerca de 150 mil desempregados no distrito e que mais de 200 mil trabalhadores recebam salários inferiores a 600 euros”.
Em conferência de Imprensa, Jaime Toga afirmou, baseado em dados recentes do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que o distrito do Porto “continua a apresentar uma taxa média de desemprego (13 por cento) superior à taxa média nacional (10 por cento)” e que “alguns concelhos apresentam taxas claramente acima, tais como Baião (21 por cento), Santo Tirso e Trofa, (18 por cento), e Gaia (16 por cento)”.
“Se levarmos em consideração os dados do mês de Maio vemos que enquanto a nível nacional o número de desempregados diminuiu em 99, no distrito verificou-se um aumento de 1.876, ou seja 1,6 por cento”, frisou.
Segundo o candidato da CDU, “o país e em particular o distrito do Porto, está mais pobre, mais desigual e mais injusto, situação amplamente agravada pelo encerramento de serviços públicos dos últimos anos, por continuado desinvestimento público e por uma politica ruinosa para a indústria e comércio da região”.
Considerou, por isso, “particularmente grave” que os últimos governos tenham chumbado as propostas apresentadas pelos deputados do PCP na Assembleia da República, nomeadamente a alteração dos critérios para atribuição do subsídio de desemprego e o Plano social de Emergência.
Os candidatos do CDU pelo distrito do Porto mantêm o compromisso de apresentar propostas com vista a uma justa distribuição da riqueza, ao combate à corrupção, ao fim das regalias aos bancos e grupos económicos e ao efectivo apoio às micro, pequenas e médias empresas.
Pobreza cresce entre as gerações mais jovens
by admin on Ago.08, 2009, under Sociedade
Indicadores de 2007 apenas mostram risco maior para os dependentes
2009-07-16
PEDRO OLAVO SIMÕES
Mostra o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que a pobreza em Portugal estabilizou e as desigualdades diminuíram. Mas os números não podem ser olhados acriticamente.
Fala-se em dados respeitantes a 2007, isto é, antes do impacto da crise internacional, quando se diz que o risco de pobreza em Portugal se mantém em 18% – o valor do estudo precedente – e que “o rendimento dos 20% da população com maior rendimento era 6,1 vezes o rendimento dos 20% da população com menor rendimento, traduzindo-se numa redução face a 6,5 estimado no ano anterior”. Mas o que significa isso?
Há uma fórmula internacionalmente reconhecida para estabelecer o limiar da pobreza, que, no contexto em causa, corresponde a rendimentos na ordem dos 406 euros mensais, pelo que, naturalmente, o retrato não é preciso, pois rendimento baixos, mas acima dessa linha, não entram nas estatísticas. Quanto às desigualdades, são estabelecidas mediante o cálculo do coeficiente de Gini, que, porém, não explica causas.
“Estes indicadores não são perfeitos, como todos os indicadores construídos pela Ciência Económica, pela Estatística ou pela Sociologia”, nota o sociólogo Fernando Diogo, docente da Universidade dos Açores e estudioso do fenómeno da pobreza, notando que os números, como “elementos de gestão da res publica e construções sociais”, pelo que não prescindem de apreciação crítica.
Daí que surjam sempre leituras dissonantes. Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, disse à Lusa que os critérios usados pelo INE são “puramente economicistas” e “não têm a ver com uma efectiva qualidade de vida das pessoas”. Já o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, salienta o carácter positivo dos números, embora ressalve que “os dados da pobreza nunca nos podem deixar completamente satisfeitos”.
Em parte, mas não totalmente, o combate à pobreza entronca nas chamadas “transferências sociais”, cuja eficácia em Portugal é tradicionalmente pequena, segundo Fernando Diogo, mas “tem vindo a aumentar nos últimos anos, com o Rendimento Social de Inserção e com o Complemento Solidário para idosos”: “Tínhamos uma taxa de pobreza de 25%, que está agora nos 18%. Por muito que nos custe a acreditar, Portugal tem enriquecido um pouco, mas as transferências sociais continuam a ser um problema estrutural tradicional do país”.
De acordo com o estudo, de que apenas foram divulgados dados provisórios, há uma faixa etária cujo risco de pobreza aumentou, em relação a 2006. Trata-se dos mais jovens, os que têm idades entre 0 e 17 anos, isto é, os dependentes. Só estudos mais aturados permitirão daí tirar conclusões, pois, como nota o sociólogo, pode tratar-se apenas de um efeito estatístico: ao diminuir o risco de pobreza dos idosos, devido às transferências sociais, os mais novos passam a ter maior peso estatístico.
Certo é que a crise resultará num agravamento da pobreza, em Portugal como em todo o Mundo. Porém, a noção desse problema poderá tardar, por efeito do subsídio de desemprego.
Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1308969