Fome
Faltam alimentos para não passarmos fome em 2050
by admin on Set.04, 2010, under Fome
Em quatro décadas a Terra vai ter que alimentar nove mil milhões de bocas. Para Cary Fowler, director executivo do Global Crop Diversity Trust, o maior desafio não é a urbanização ou a falta de terreno agrÃcola, mas as alterações climáticas que vão exigir novas variedades de alimentos capazes de resistir ao calor e à seca. A salvação pode estar na natureza.
O norte-americano Cary Fowler não tem dúvidas: é necessário adaptar as culturas agrÃcolas que temos aos tempos que vêm aÃ. Ou escolhermos outras, que hoje não reconhecerÃamos se estivessem nos nossos pratos, se forem mais resistentes ao clima que cada região vai viver nas próximas décadas. A alternativa é vermos a produção decair e tornar-se mais cara. Tendo em conta que em 2050 a estimativa média da população mundial vai ser de nove mil milhões de pessoas – um terço a mais do que quando aterrámos no novo milénio – e a necessidade de comida vai subir 70 por cento do que é hoje, a alternativa é a fome.
O Governo britânico está preocupado com esta questão e decidiu olhar para todos os factores que vão influenciar a alimentação mundial. SaÃram por isso recentemente 21 artigos de revisão na revista cientÃfica britânica Philosophical Transactions of the Royal Society B, acessÃveis a todos.
O prefácio, escrito por John Beddington, o principal conselheiro cientÃfico do Governo, diz que “o desafio não é apenas aumentar a produção de uma forma sustentável, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa e preservando a biodiversidade”. É também necessário “tornar o sistema dos alimentos mais resiliente à volatilidade, tanto económica como climática”.
A avaliação global dos 21 artigos dá uma perspectiva ligeiramente animadora do futuro da alimentação. Uma visão não partilhada pelo director executivo da Global Crop Diversity Trust – uma parceria público-privada para a manutenção da diversidade biológica das variedades de culturas agrÃcolas, que recebe dinheiro de vários paÃses e de fundações como a Rockefeller ou a Bill & Melinda Gates.
“Acho muito interessante que os economistas façam projecções sobre 2050 e digam coisas como “o mundo tem de produzir mais comida”. Do meu ponto de vista, não há nada de automático nisso”, disse Cary Fowler em conversa com o PÚBLICO quando esteve em Lisboa, para dar uma palestra no 28.º Congresso Internacional de Horticultura. “O mundo não precisa de produzir mais comida para a nossa espécie, as culturas agrÃcolas são domesticadas, não são selvagens, dependem de nós para se adaptarem a novas condições.”
Em 1950, quando Fowler nasceu, a população mundial ainda não tinha chegado aos três mil milhões. Mas, desde aÃ, apesar da terra cultivada só ter aumentado dez por cento, a comida por pessoa aumentou 23 por cento, mesmo que a população seja hoje mais do dobro. As desigualdades na distribuição é que fazem com que um sétimo da humanidade passe fome e outro sétimo tenha comida a mais. Como é que isto é possÃvel? “A terra com agricultura irrigada duplicou, a quantidade de água utilizada triplicou, a quantidade de fertilizantes é 23 vezes mais, a quantidade de pesticida é 53 vezes mais”, explicou o especialista.
Não será possÃvel continuar simplesmente a dedicar cada vez mais terra à produção de alimentos. A agricultura tornou-se intensiva, o que permitiu um rendimento muito maior, mas este impulso não é infinito. “Não vejo que possamos produzir alimentos da mesma forma no futuro, porque a água, a terra, a energia e os fertilizantes não vão estar disponÃveis como estiveram no passado. Para mim, isso devolve a questão à agronomia, à s práticas agrÃcolas e à reprodução de plantas”, apontou Fowler.
O artigo da Royal Society dedicado à s alterações climáticas, apesar de ter inúmeras referências a projecções relacionadas com o aumento de temperatura, a variabilidade da precipitação ou o aumento de dióxido de carbono na atmosfera, defende que não existem dados suficientes para se saber quais os impactos reais destes factores. Outro artigo, que se concentra no futuro do rendimento das culturas, conclui que em 2050 o rendimento por unidade de área vai ser entre 50 e 75 por cento maior do que em 2007. Os autores calcularam o rendimento das culturas mundiais tendo em conta modelos de crescimento, o efeito das concentrações do dióxido de carbono e do ozono.Cenário negroCary Fowler contrapõe com exemplos para mostrar um cenário mais negro. “Se a temporada de crescimento agrÃcola for mais quente, com picos de calor em certos momentos, os agricultores vão querer alterar as datas de plantação para evitar estes picos. Será que a chuva também virá em alturas diferentes?” Outro exemplo: “Para o arroz, o aumento de um grau na temperatura nocturna diminui a produção em dez por cento, e ninguém está à espera de uma subida de apenas um grau.” O calor também afecta os polinizadores, o que potencialmente pode contribuir para a redução do rendimento das plantações.
Neste momento, a meta para o Global Crop Diversity Trust e para os investigadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, com quem a organização colabora, é 2030, um ano para o qual já existem dados sobre os efeitos das alterações climáticas. “Podemos esperar uma diminuição na produção de milho no Sul de Ãfrica se tivermos as mesmas culturas de hoje. O milho é a principal cultura da região, totalizando 50 por cento da nutrição”, disse Fawlor, acrescentando que, se nada se alterar, aquelas populações vão enfrentar crises alimentares enormes.
A alternativa é começar agora à procura de novas variedades, de plantas selvagens que sejam parentes das culturas que produzimos e que vivam naturalmente em zonas extremas, onde já estão habituadas à seca e ao calor. “Precisamos de recolher estas plantas porque temos de ser capazes de as utilizar no futuro para a reprodução e isso demora pelo menos dez anos”, contabiliza o investigador. Serão necessários mais dez anos para estas novas variedades estarem prontas para o cultivo.
As novas culturas podem estar em qualquer lugar, nas margens de desertos, em montanhas. O norte-americano defende que uma comitiva de investigadores devia olhar para as mais diversas culturas que são produzidas pelos paÃses e para os seus parentes selvagens. “Acho que se voltarmos a Portugal daqui a cem anos, as dietas não serão as mesmas”, adivinhou o cientista, apontando o inhame, o sorgo ou as chÃcharas como alimentos com possibilidade de estarem na ementa do futuro (ver caixa). Algumas culturas poderão aumentar na produção mundial do futuro, outras poderão diminuir. O importante será salvaguardar estes tesouros naturais até serem necessários.
Para uma empreitada destas seria necessário um esforço global, e isso continua a ser um problema. “Os lÃderes mundiais só respondem a problemas de curto prazo, temos uma liderança mundial que é bastante ignorante e despreocupada com a fundação biológica da civilização, que é a agricultura. É muito perigoso quando a sociedade assume que vai tudo correr bem”, defendeu.
O especialista refere que, mais uma vez, são os paÃses em desenvolvimento, muitos deles produtores de alimentos para o mundo ocidental, que podem pagar o preço mais alto – mesmo que a sua responsabilidade nas alterações climáticas seja menor.
“Eu apostaria que entre hoje e 2030 vamos viver aquilo que os media descrevem como crises alimentares. Tivemos uma pequena crise há dois anos [referindo-se à escalada dos preços do arroz em 2008], mas essa não foi nada comparando com o que está para acontecer.”
http://www.publico.pt/Mundo/faltam-alimentos-para-nao-passarmos-fome-em-2050_1454150?p=1
1 000 000 000 Vamos ficar zangados
by admin on Mai.28, 2010, under Fome

Em pleno século XXI, mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo (con)vivem diariamente com fome. Inaceitável? Sim, mas real. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), só em 2009 o número de famintos aumentou na ordem dos 105 milhões, em comparação a 2008, atingindo um total de 1.017 mil milhões de pessoas.
Escusado será dizer que a Ãsia e o PacÃfico, com 642 milhões de famintos, e a Ãfrica subsariana, com 265 milhões, são as regiões do globo mais afectadas. Seguem-se a América Latina e o Caribe, com 53 milhões, o Oriente Próximo e Norte de Ãfrica, com 42 milhões, e os paÃses desenvolvidos, com 15 milhões.
Os números traduzem um flagelo que afecta uma em cada seis pessoas no mundo. E que mata diariamente cinquenta mil crianças. Segundo o director geral da FAO, Jacques Diouf, que admitiu tratar-se de uma situação “muito difÃcilâ€, o agravamento desta realidade resulta, obviamente, da crise económica e do aumento dos preços dos alimentos, nos últimos três anos.
A organização acredita que é necessário aumentar a produção agrÃcola mundial em setenta por cento, para alimentar a população mundial (9 mil milhões de pessoas) até 2050. Mas é sabido que o problema actual não reside na falta de alimentos. Produz-se hoje em quantidade suficiente para manter alimentada e saudável toda a população mundial. Porque há, então, tanta fome?
A sociedade é responsável pelas causas da pobreza
by admin on Abr.23, 2010, under Fome
Ganha cada vez maior força a certeza de que a sociedade é a grande responsável pelas causas da pobreza. O grave da questão é os responsáveis não quererem ver o mal que têm feito, cada vez mais difÃcil de sarar. ‘É tempo de nos interrogarmos sobre o que é ou não a pobreza’ afirmou, no Solar dos Peixotos, em Viseu, Bruto da Costa. Falava no âmbito das conferências subordinadas ao tema ‘Novas Respostas a Novos Desafios’, levadas a efeito pelas Fundações do Inatel e de Mário Soares. Bruto da Costa, na explanação das suas ideias, adiantou que hoje é necessário encarar a pobreza de frente, embora tivesse reconhecido que a sociedade não está preparada para acolher as medidas necessárias para erradicar algumas das moléstias que se foram avolumando, o que obriga a ter outros procedimentos para que os pobres não fiquem ainda mais pobres. A ciência rompeu barreiras, quebrou tabus. Mas quais as ‘Novas Respostas da Ciência’ e que ‘Novas Éticas’? Até aqui quase só palavras.
Só palavras. Na verdade, ‘apesar de progresso persistem profundas desigualdades sociais’. Daà a actualização da palestra de Bruto da Costa sobre ‘Novas Respostas à Exclusão Social’, que tardam a ser verdadeiramente implementadas. A sessão foi extremamente participada, lotando por completo o salão. Mas será que todos saÃram da reunião mais esclarecidos sobre e para os problemas da miséria? Nenhuma das pessoas que aderiram à iniciativa estava nesse rol, a menos que a sua ‘miséria’ seja outra (…). De qualquer forma é de elogiar a iniciativa que levou ao salão da Assembleia Municipal muita gente, sobretudo jovens, o que ‘é estimulante’. Oxalá, e perdoem-nos a ‘liberdade’ de expressão, que não tenham estado ali apenas para serem vistos, marcando presença… O orador disse que a lei mais completa para combater a mendicância e a errância foi a ‘Lei das Sesmarias’. Lei que obrigava a que todos trabalhassem.
Quem não o quisesse fazer ‘só tinha uma saÃda: abandonar o paÃs’. Foi promulgada em Santarém a 28 de Maio de 1375, durante o reinado de D. Fernando. Hoje paga-se para não trabalhar… As únicas entidades que procuraram combater o ‘flagelo’ da pobreza, em todos os sentidos, desde o monetário ao cultural foram as ordens religiosas e as diversas instituições de origem cristã, que chegaram onde o estado nunca foi capaz de o fazer com a mesma ou semelhante eficiência. ‘Cultura básica de bem-estar… O Estado que resolva’ Bruto da Costa não ‘sabe’ explicar porque é que a pobreza continua a existir em Portugal em tão larga escala. Porém, pensando bem, uma das ‘razões’ pode assentar no facto de a ‘sociedade portuguesa desenvolver a cultura básica de bem estar’, deixando que o ‘Estado resolva’… A ‘persistência da pobreza desencadeou um fenómeno de habituação’. Um terço da população ‘atribui à pobreza um carácter fatalista’, outro terço diz que ser pobre se fica a dever ‘à preguiça’… No entender de Bruto da Costa a sociedade não está preparada para enfrentar ‘as medidas necessárias’. Duvida-se da ‘autenticidade dos poderes’.
O combate à fraude e a ‘emergência da cultura consumista atinge a própria noção de justiça’. Talvez por se misturar a ideologia e o fundamentalismo do mercado ou o cariz individualista com o facto da taxa de pobreza continuar a agravar-se, por falha da ‘polÃtica redistributiva’. Pensa que ‘é tempo de nos interrogarmos sobre o que é ou não a pobreza’, certo de que as suas ‘causas estão na sociedade’. O tempo da miséria ser ‘cultivada com ternura’ já ‘perdeu o seu tempo’. Subindo a outros patamares, adiantou que ‘com a globalização chegou o fim da geografia’, colocando em permanência o ‘clima de incertezas e de insegurança’. A isto tudo junta-se o ‘egoÃsmo’ e as deficientes ‘estruturas do poder’, com os ‘mais fortes a quererem ainda mais domÃnio’. E poder. A ‘revalorização do bem comum’ e a ‘existência de uma autoridade capaz de o promover’ nunca foi tão importante.
Sem-abrigo em Portugal
by admin on Jan.15, 2010, under Fome
Sem-abrigo em Portugal
Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social
by admin on Dez.30, 2009, under Fome
O grupo de trabalho que em Portugal vai monitorizar o Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social não pretende terminar 2010 sem pobreza no nosso paÃs, mas quer chamar a atenção para esta realidade que a todos diz respeito.
Edmundo Martinho, responsável pelo grupo de trabalho português pretende em 2010 “impactos muito fortes e que todos nós compreendamos que não há ninguém dispensado deste esforço de combate à pobreza e à exclusão.
Os 700 mil euros afectos a este programa serão co-financiados pela União Europeia e por verbas nacionais com a maior parte das iniciativas a caber a entidades públicas e privadas o que faz com que “não haja propriamente um orçamento”, refere Edmundo Martinho que acredita que a “pujança do ano europeu vai ser a mobilização das entidades: desde empresas a grupos económicos, clubes desportivos e recreativos a organizações não-governamentais”.
A par das iniciativas programadas está ainda previsto que sejam realizados estudos sobre pobreza infantil e analisada a relação das baixas qualificações dos trabalhadores com os baixos salários e riscos acrescidos de exposição à pobreza.
Para Edmundo Martinho os indicadores relativos ao risco de pobreza em Portugal têm melhorado nos últimos anos, mas continuam a ser preocupantes e com destaque para a pobreza infantil.
“Temos números que não podem deixar de nos inquietar e mobilizar para fazer tudo o que está ao nosso alcance. E o que queremos com este ano é dar esse contributo e não podemos continuar a aceitar que o paÃs permita que crianças cresçam e se desenvolvam sem acesso aos mais elementares bens relativos ao seu crescimento, desenvolvimento e qualificação – não apenas escolar mas enquanto cidadãos”.
Pobreza pode crescer quase 7% até ao final de 2010
by admin on Dez.12, 2009, under Fome
A crise financeira internacional está a ter um impacto social desastroso na América Latina. “
A pobreza continua a aumentar e pode crescer quase 7% até ao final de 2010†na região, anunciou em conferência de Imprensa, Angel GurrÃa, director do Centro de Desenvolvimento da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e coordenador do relatório “Perspectivas económicas da América Latina 2010â€, o terceiro apresentado numa Cimeira Ibero-Americana.
“Quase 40 mil pessoas que sairam da pobreza poderão cair nela de novoâ€, disse, deitando por terra a recuperação verificada nos indicadores sociais da região, entre 2003 e 2007. Na população activa, o efeito da crise foi igualmente nefasto, com o desemprego jovem a ser o triplo do registado nas camadas adultas, “tanto em Espanha como em muitos paÃses latino-americanosâ€.
Sobre o arranque do crescimento previsto para os paÃses da OCDE, de 2010 a 2012, GurrÃa disse que “não será uma recuperação espectacular nem muito rápidaâ€, já que potências como o Japão e os EUA ou os paÃses mais ricos da União Europeia (UE) só chegarão aos 2% de crescimento.
Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1435087
Metade da produção mundial de alimentos é jogada no lixo
by admin on Dez.06, 2009, under Fome
Dados da pesquisa realizada em parceria pela UN Food and Agriculture Organization (FAO), Stockholm International Water Institute e International Water Management Institute (IWMI) revelam que quase metade de todo o cultivo mundial de alimentos é desperdiçado após a sua produção. Esse gasto, gerado especialmente durante o processo de transporte dos produtos, é um dos principais causadores da crise dos alimentos que o mundo vive atualmente. Ou seja, o problema não está exclusivamente na falta de produção de comida, mas sim pelo seu enorme desperdÃcio.
Porém esse não é o único dado alarmante apontado pela pesquisa. Segundo Charlotte de Fraiture, pesquisadora do IWMI, quase a metade da água usada anualmente para o cultivo dos alimentos também é perdida ou desperdiçada ao longo do processo. Somente nos Estados Unidos, quase 40 trilhões de litros de água (aproximadamente a quantidade necessária para produzir 30% dos alimentos de todo o paÃs e suficiente para suprir as necessidades de 500 milhões de famÃlia) são perdidos todos os anos.
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E tanto desperdÃcio não é novidade para ninguém. Qualquer um que já comeu em um buffet ou foi a um supermercado sabe quantos alimentos em perfeitas condições de consumo são jogados fora diariamente. Para acabar com essa prática, os autores da pesquisa convocaram toda a comunidade mundial para reduzir a quantidade de desperdÃcio de alimentos e água pela metade até 2025 – uma meta facilmente alcançável, de acordo com eles.
Outras recomendações do relatório beiram o óbvio: além de controlar o desperdÃcio, sugerem melhorar a produtividade da água e aperfeiçoar a produção de alimento. Outra idéia incentiva usar um selo nos produtos informando sobre a quantidade de água que foi utilizada para gerá-lo. Assim as pessoas saberiam que para produzir um bife, por exemplo, são necessários 20.877 litros por cada 1 kg e assim ter consciência do que está comprando. Para os pesquisadores, existe água suficiente para todos e ela estará disponÃvel para todos desde que seja bem gerida.
Fonte: http://livrepensar.wordpress.com/2009/08/14/algumas-verdades-sobre-a-fome-no-mundo/
BiocombustÃveis – Uso de cereais para combustÃvel agravou fome a nÃvel mundial
by admin on Dez.06, 2009, under Fome
Nem tudo o que parece verde é. Esta a lição que a nÃvel global está a ser aprendida.
A procura de alternativas ao petróleo teve já alguns efeitos desastrosos nas reservas alimentares do planeta, disseram-no já diversas entidades das Nações Unidas, cujos alertas previam mais fome, revoltas
dos pobres em muitas regiões e também um desgaste ecológico.
 A crise do pão já está a ser sentida por milhões, na quantidade e no preço.
Já há tumultos em alguns pontos do globo, como os Camarões, Indonésia, Haiti e o NÃger.
E a directora do Programa Mundial de Alimentos, da ONU, avisou que terá de ser retirada a ajuda a 100 mil crianças, se os doadores não acrescentarem os seus subsÃdios para compensar a subida do preço dos cereais.
Os Objectivos do Milénio para retirar da fome alguns milhões de pessoas dificilmente serão cumpridos nestas circunstâncias.
Esta é só uma faceta da realidade, que também inclui os muitos milhões de Ãfrica, Ãsia e América Latina já antes a braços com a carência alimentar.
Havia 800 milhões de famintos no mundo. Tudo corre agora de mal a pior.
Efeitos perversos Segundo a ONU, desde há 40 anos que as reservas
alimentares do planeta não estavam tão desprovidas.
No “banco dos réus” estão as mudanças climáticas, causando perda de colheitas.
Mas não só a tentativa de se substituir o uso exclusivo do petróleo por biocombustÃveis , com o intuito de diminuir as emissões de gases com efeito de estufa, teve efeitos perversos.
Desflorestou-se mais para fazer cultivo de cereais e oleaginosas.
 O impacto ambiental não se ficou pela perda de largas zonas de floresta cheia de biodiversidade, como vem acontecendo no sudeste asiático; a factura para o planeta foi paga em mais emissões de CO2 devido às queimadas
e ainda pelo uso de fertilizantes que também no seu fabrico contribuem para tais emissões.
 PaÃses como a Holanda, que proclamavam uma filosofia verde, e por isso investiam em palmares para produção de biodiesel no sudeste asiático, manifestaram-se perplexos com a reversão dos efeitos.
Solos tradicionalmente afectos aos cereais e a oleaginosas como o milho e girassol tiveram a sua produção desviada para o fabrico de biocombustÃveis.
Não é de estranhar que, ontem, em Roma, no Fórum Internacional de Energia, tanto um membro da
OPEP, ministro do Qatar, como o alto responsável por uma das gigantes petrolÃferas tenham dito que os biocombustÃveis não são a solução energética e que a crise do pão não cabe ao ouro negro saÃdo
dos seus poços.
 Na verdade, para a alta do preço dos cereais há outros contributos está em acção também “um bando de especuladores e bandidos financeiros”, acusou ontem Jean Ziegler, relator especial da ONU para o direito à alimentação. No coro dos protestos entra também o ministro alemão da Agricultura, Horst Seehofer, que numa
entrevista ao “Bild am Sonntag” fustigou os grandes grupos agro-alimentares pela forma como dominam o comércio de sementes e as impõem, nomeadamente as geneticamente modificadas, aos agricultores.
 Tais práticas nos EUA, segundo disse, vão determinar o aumento do preço das
forragens para animais na ordem dos 600%. Eis aà outro problema para o abastecimento alimentar, que teria de conseguir a inclusão de faixas das populações de economias emergentes, como a China e a Ãndia, ascendendo na última meia-dúzia de anos a uma classe média e a um prato mais cheio.
Afegãos consideram que a pobreza é a principal causa da guerra
by admin on Nov.18, 2009, under Fome
A maioria dos afegãos acredita que a pobreza, o desemprego e a corrupção do Governo – e não os taliban – são as principais causas para a guerra contÃnua no seu paÃs.
Segundo um relatório divulgado hoje pela organização não governamental britânica Oxfam, realizado com vários grupos locais, o desemprego está nos 40 por cento no Afeganistão e mais de metade do paÃs vive abaixo do limiar da pobreza.
A Oxfam baseou este relatório num inquérito a 700 afegãos: para 70 por cento dos inquiridos, a pobreza e o desemprego são os principais motivadores do conflito. Quase metade apontou a corrupção e a falta e eficácia do seu governo.
Só 36 por cento considerou que são os taliban os maiores responsáveis pela continuação da violência.
“As pessoas do Afeganistão sofreram 30 anos de terror implacável. A sociedade afegã foi devastadaâ€, disse Grace Ommer, directora do programa da Oxfam para o Afeganistão.
“Reparar estes estragos não pode ser feito da noite para o dia. Vai levar muito tempo para sarar as feridas económicas, sociais e psicológicas… O Afeganistão precisa de mais do que soluções militaresâ€, afirmou Ommer num comunicado.
Há 110 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, mas a violência não tem parado de aumentar. Nas razões apontadas para o conflito, a seguir aos taliban, aparece a interferência estrangeira no paÃs, com 25 por cento das respostas.
Homens sujeitos a trabalho escravo
by admin on Out.19, 2009, under Fome
A maioria dos casos de tráfico de seres humanos confirmados em Portugal envolve homens sujeitos a trabalho escravo, apesar de grande parte das 231 denúncias desde 2008 ser de estrangeiras exploradas sexualmente.
As contas são do coordenador do Plano Nacional de Luta contra o Tráfico de Seres Humanos, Manuel Albano, e do chefe do Observatório de Tráfico de Seres Humanos, Paulo Machado, que ontem assinalaram no Porto o Dia Europeu dedicado ao tema.
“Ainda que os casos sinalizados sejam maioritariamente para fins de exploração sexual, a maioria dos casos já confirmados prende-se com a exploração laboral e respeitam a pessoas do sexo masculino”. Uma constatação que já levou o Observatório a pedir a inclusão da Autoridade para as Condições de Trabalho na rede de parceiros, para aproveitar o trabalho da centena e meia de inspectores que percorrem o terreno e podem sinalizar casos mais estranhos.
Esta realidade não é, de resto, exclusiva de Portugal. E está por detrás da campanha “Compra responsabilidade”, que a Organização Internacional para as Migrações (OIM) lança hoje. O objectivo é ajudar a eliminar a procura de mão-de-obra explorada e sensibilizar os consumidores para produtos e serviços fornecidos por pessoas traficadas. Para acabar com o tráfico de seres humanos, diz a OIM, “é fundamental eliminar a procura de mão-de-obra explorada e traficada, destinada a satisfazer o desejo de produtos baratos e grandes lucros por parte de consumidores e empresas”.
Há mesmo estimativas que apontam 12,3 milhões de pessoas em situações de trabalho forçado ou servidão. “Durante demasiado tempo tem-se acreditado que a pobreza e a discriminação de género estivessem na base do tráfico de seres humanos e que fossem estas as principais causas a combater, mas esta é uma leitura demasiado simplista”, considera o director-geral da OIM, William Lacy Swing. “O envelhecimento das populações, a diminuição da taxa de natalidade e participação produtiva em paÃses industrializados, associado ao excesso de oferta de mão-de-obra nos paÃses em vias de desenvolvimento sem que haja suficientes canais para a migração legal, têm permitido aos traficantes tirarem proveito da procura de mão de obra estrangeira a baixo custo”.
Embora o grupo mais frágil e fácil de explorar sejam mulheres e raparigas, para tráfico sexual, há crescentes incidências de tráfico para exploração laboral. E “as vÃtimas são maioritariamente homens e rapazes traficados para trabalho nos sectores da agricultura, construção, pesca e serviços domésticos”.
Em Portugal, do total de 231 casos sinalizados desde 2008, apenas 41 estão confirmados. Mas, realçam os especialistas, “independentemente de posteriores confirmações”, todas as situações são “relevantes”. Envolvem “discriminação”, “ilicitude”, “violência de género” e outros tipos de crimes. Cerca de 90% terão ocorrido no território continental, partem de denúncias das próprias vÃtimas, que são sobretudo mulheres com cerca de 30 anos, solteiras e estrangeiras (dois terços delas ilegalmente me Portugal).
Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1394531

A maioria dos afegãos acredita que a pobreza, o desemprego e a corrupção do Governo – e não os taliban – são as principais causas para a guerra contÃnua no seu paÃs.