Zimbabwe. Um terço da população depende da ajuda alimentar externa
Interditas acções de apoio alimentar e humanitário de ONG internacionais
O Governo de Harare ordenou a suspensão das actividades das organizações não-governamentais a operarem no país, responsáveis pela assistência alimentar a mais de quatro milhões de pessoas.
O regime de Robert Mugabe exige que as ONG “suspendam todas as suas acções de campo, até novas indicações”, anunciou ontem o ministro da Assistência Social, Nicholas Goche. O que significa que a distribuição de alimentos e outras operações de apoio humanitário deixam de se poder realizar por entidades internacionais e grupos independentes, passando a depender apenas do Governo.
A acção das ONG cobre um terço dos cerca de 12,5 milhões de habitantes do país, a braços hoje com uma inflação na ordem dos 165 000%.
Um porta-voz do Governo, Bright Matonga, explicou ainda ter sido solicitado às ONG que façam novo pedido de creditação para poderem actuar no país. Um pretexto que pode ser usado para proibir a actuação das organizações consideradas inimigas do regime.
De há largos anos a esta parte, Mugabe acusa várias ONG de serem cúmplices activas da oposição e de prestarem apoio às populações de forma selectiva. A mesma acusação é feita ao regime pela oposição.
A presença destas organizações nas áreas rurais tem permitido a denúncia de abusos das autoridades sobre as populações que se distanciam do regime. Num momento político crucial para Mugabe, que joga a sobrevivência política na segunda volta das presidenciais de dia 27, o desaparecimento das ONG do terreno deixa caminho aberto para a intimidação sistemática e ensombra o quotidiano de uma população, que passa a depender em exclusivo de um hipotético apoio governamental. Este tem condicionado qualquer ajuda alimentar a uma lealdade política inquestionável. O Presidente do Zimbabwe não hesita em recorrer à arma da fome para assegurar a permanência no poder.
Um porta-voz do MDC, o partido do candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, criticou a decisão do Governo, afirmando “que as ONG não votam. É pura condescendência pensar que os zimbabweanos votaram contra Mugabe sob a influência das ONG”. Com agências